11.20.2012

Sinais

























Dá-me um sinal
um só basta
que nesta cegueira
toda uma constelação
que me ofereças
nunca será suficiente
se não mostrares
o seu propósito.

11.18.2012

Arvorecer


























Faz-te crescer
nas tuas raízes
alastra-as profundas
sobre a terra
a teus pés
o que pisas
é o meu coração
alimento-te
e do orvalho bebes
este desejo pungente
de te fazer florir
quando acontece
na noite quente
a escuridão sem luar
abaixo dos ramos
onde livres
os teus braços
apertam os céus
enquanto o vento
nas velas comando
numa exclamação
à falta do sol
que eu sinto
como se sempre sós
sofressem as estrelas
e todo o universo
chorasse por elas
no êxtase da aclamação
ao seu brilho absoluto
como fértil harmonizador
da encarnação floral.

11.05.2012

À tua pergunta

























que resposta te posso dar
se nunca soube que poeta ser
e nem tenho todos os dias
o mesmo brilho no olhar

não sei bem que versos faço
escrever para mim é recurso
para me livrar do embaraço
e arrastá-lo para outras moradas

sei que sou um homem só
e nem sei bem como o faço
escrever sempre me soube
a outra forma de fracasso.

11.04.2012

Polar

























os teus poemas estão mortos
os versos perderam o sabor dos dias,
ficam só os traços na simpatia
das curvas do copo sobreposto
às linhas da manta estendida,
às figuras do teu rosto.

recorda que o que não se dizia
era necessário se entender,
o quanto não se explicava
era tudo aquilo que acontecia
no silêncio da noite sem estrelas
que dava lugar à luz do dia.

encosto-me agora ao parapeito
da janela vejo a lua nascer
separada apenas pela sua sombra,
quando os sonhos não existem
somos só entregues à vida
pelas vontades dirigidas aos sentidos.

morre-se todos os dias
quando o sol não nos aquece,
será sempre o mesmo calor
que nos manterá vivos
e nós sós que somos o maior dos sóis
separados somos apenas escuridão.