8.06.2012

Nós dois




























nós dois
ali sentados à beira-rio
eu segurando um copo vazio
e tu olhando as estrelas

não foi o beijo na face
que me despertou
quando pelo frio sentido
o cansaço nos aconchegou

e o calor de novo veio
das horas silenciosas
do sereno passar das águas
do teu corpo só

enquanto contemplava
no passado fundo do copo
quase tão vão quanto eu
as previsões do futuro

e não foram os fogos
não foram obrigações
não foram só os beijos
indiferentes às constelações

o olhar não se deixa ocupar
pelas incertezas
não se deixa vencer pelos medos
que derrubam os corpos

e dentro da muralha de cada um
pulsaram exércitos de rebeliões
pelo prazer da branca conquista
da qual se nutrem as paixões

não basta negar
o que ninguém entende
não basta esquecer
as recordações

só os dois
à margem do rio
tu aquecendo um corpo morto
e eu retomando à vida.

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Um olhar sem margens, um barco com lugar para dois.

Muito bonito!

Rita Graça disse...

Definitivamente um dos melhores poemas que li neste blogue. :)