10.08.2011

Counting Clocks























Before the frozen winter fall, the leaves turn red and brown
with shadows that remind days wasted in the sky at dawn,
or in the golden hours between then and now
where the night comes out as my eyes swan,
not to frown at their swift counting clocks.

10.03.2011

Só falta o que é preciso





















Só falta o que é preciso
quando falta o que conspiro...
Para quem me perdeu
que não me espere encontrar
onde se perdeu num suspiro
o mais que não posso estar
e até onde nunca estive,
onde apenas vivi perdido
de qualquer coisa destemido
para a qual não sei voltar.

Só enquanto me penso feliz
os outros me fazem pelo contrário,
maior bondade não devo julgar
neste tempo que fico a desejar
não ser levado pelo corolário.
Que o mistério que a vida tece
não nega desejos a quem oferece
no desapego que sabe aferrar
os ávidos beijos do anonimato
que à minha boca vem parar.

Só não sinto falta quando está
o corpo de quem sinto o perfume
ou o conforto na presença ausente.
Que nunca é tarde se nunca foi cedo
para se desfazer eterno o presente
nesta sede de que se me esquece
o que foi mau de qualquer coisa boa,
o que foi bom em qualquer coisa má
e aceitar que quando falta o que é preciso,
só faz falta quem verdadeiramente está.

10.02.2011

Mutilação dos contos




















Lúcia-lima, erva-cidreira,
rosa-brava, malmequer...
se as palavras são remédio
que morra o tédio, sim
e seja livre quem estiver.

Das flores que se conhecem odores
só as distinguem quem souber
viver livre de amores e assim
saber de cor os códigos e as cores
para colhê-las bem quando quiser.

Sem fazer nada para agradar
chegará o contento quando vier
que, de chá em chá, fica sem desdém
quem souber esperar para voltar
e regressar como convém.

Acaba a ceifa em banhos quentes
onde o trigo se leva pelo joio,
onde se deixa só o restolho em planícies
dos corpos nus que queimam as línguas
e quantos dentes as bocas têm.

Sem esperar pela maré mudar,
o vento de agora não é de azar,
não há valor em dar tudo o que se tem...
será sempre o mesmo casaco axadrezado
que acaba por se trocar e vem.

Por isso devem manter-se os padrões
sempre que os alvores do acaso
sejam prole de maiores pavores
que sabem roubar lágrimas às dores
e fazer das parcas horas dias maiores.

A cada passo de avanço a recusa,
recuo-o também para fechar os portões
que a tasca não empresta fiado,
serve de aviado, não aceita cartões...
ah, e é domingo, os correios não abrem.

Fico eu a mitigar porque razão
a miséria no mundo é tanta,
o papel de carta é pequeno
e a vontade de me fazer confuso
explica tanta coisa sobre o mundo.

Contudo tenho como único propósito
não encontrar justificação do modo
como não encontro o coração
de encontro a outro tão só e vazio,
que não desejo e não me é pertença.

Sabe-se, que tenho o meu algures
muito bem guardado e luzidio,
que este outro que uso é emprestado
e estimo-o, aquece e mantém-me acordado,
por maior vontade que tenha de devorá-lo.

Esta dádiva de coração
tem um bater compassado
que não encontro noutro lado
e tem toda a atenção do mundo
num olhar demorado.

Esta combinação de consciência
tem as cores das horas sem tempo,
tem os ponteiros num juízo acertado
que entrega em mãos frias o corpo
e me impedem de revoga-lo...

Se escrever não tem remédio,
não importa o que já foi escrito,
que eu quero ser um condenado
e para isso espero também ter tempo
mesmo quando o meu anda mal parado.

Nestas calendas reais que se destruam os contos
onde recobro a veemência de antigos cantos
que se afloram sobejamente em mim
nos futuros de um passado agora presente
que me prima, acalenta e consente.