11.24.2011

atonalidades.





























Os pássaros cantam neste outono
como se fosse naquela primavera
onde tudo ficou no seu devido lugar,
agora que as folhas se desfazem no chão

sabem doentes de amores que o inverno está à porta,
trazem então o coração à boca com mudos desejos
e no seu piar sufocado pela rigidez da garganta
reivindicam saudades de um velho peito em chamas
ou da falta de um cómodo ninho ou de asas apenas
que os leve às terras onde o calor se faz presente.

Reconhece-se o bulir dos carros rua abaixo
como se fosse um bando de ondas calmas, frias
que atravessam todo trópico de manhã à noite,
escuta-se mas não se vê água nas vidraças,
nem o céu cinzento, nem a varanda alagada,
a chuva não é mais do que uma constante
que de tanto se vista já não se vê, como a rua
e os chapéus negros que vão tapando o caminho.

3 comentários:

Charles Canela disse...

tal pássaros como nós, friorentos de sentimentos, à procura do calor do amor

- Susana . disse...

gosto e sigo :D

Rita Graça disse...

O blogger diz que publicaste um post cujo título é "Lições de antibotânica". Consigo ler um bocadinho mas agora quero saber como acaba...! Vá láaa...! *.*