Traz-me na memória de Madrid,
para que o que passámos juntos
seja não mais do nada que é
em todo o tempo que temos,
sem que na Plaza del Arrabal
faças do meu corpo um auto-de-fé.
Levo-te pelas memórias de Paris,
de Montmartre a Montparnasse
nas esplanadas de ruas iluminadas
à margem do Sena e bancos de jardim,
para que cada novo começo
não marque apenas outro fim.
Traz-me como uma recordação,
na viajem do teu regresso
em troca desta espera
aflita por conjunções.
Levo-te comigo para Cannes,
mesmo quando não sei se vou
mais além da tua redenção
no escopo desta paisagem.
2 comentários:
Adoro mil vezes.
odysseia
olisipo ( allis ubbo ):
púrpura tíria
phoenicia
kina’ahu - “ canaã “
kinahu - “ carmesim “
olissipo: hellas / graecia
ulysses certa vez
como um odisseu
a fez:
odysseia
“ ibi oppidum olisipone ulixi conditum:ibi tagus flumen “ (1)
olissipona
ou como ptolomeu
disse: oliosipon
roma : lusitania
- felicitas julia -
pax romana
visigodos / westgoten
chamaram-na:
ulishbona
mouros / imazighen
d(en)ominaram-na:
al-luxbuna
ou
al-ushbuna
apelidada de “ kudyia ”
al-idrisi (2)
cantava:
“ o mar lança palhetas de ouro sobre a praia “
- de qualquer forma
teu nome é:
lisboa
“ uma noiva em sua alcova nupcial “ - al-maghribi (3)
teu corpo
se esparrama
em nostalgia
nas areias douradas
noite e dia
ali onde o tejo
porto seguro de naus
e caravelas
beija o mar
de ninfas ibéricas
esta cidade bela
do fado que deságua
dentro em mim
lodosas e úmidas
ilhotas salinas
a bordejar num mar de palha
das sete colinas
cidade íngreme
do bairro alto
da baixa do paço
do chiado do rossio
da alfama de belém
dos aventureiros
que partiram
para o além
muito além do além-mar
lisboa: flor-de-lis
sempre te quis
à toa ao meu redor
onde o remador
se fez odisseu
numa épica
odisséia
o ocaso de mim
entre ramos de ciprestes
o alvorecer de ti
entre gotas de orvalho
assim te levo
ao mar tenebroso
onde o vento
nos (a)guarda
onde há o sol
que (t)arda
Notas:
1. Segundo a lenda de Estrabão ( 63 D.C / 24 D.C ), historiador, geógrafo e filósofo grego, Ulisses teria fundado uma cidade na penísula ibérica, que seria Lisboa. Do latim: “ Ibi oppidum olisipone ulixi conditum: ibi tagus flumen “, que significa: “ ulisses fundou lisboa às margens do rio tejo...”
2. Abu Abd Allah Muhammad Al-Idrisi, ( 1110 – 1165 ) cartógrafo medieval árabe que escreveu sobre a fundação de lisboa...
3. Ali Ibn Musa Ibn Said Al-Maghribi, ( 1214 – 1286 ) poeta, geógrafo e gramático arábe, que também escreveu sobre a história de lisboa...
www.escarceunario.blogspot.com
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