7.22.2011

«O Movimento das Células» - Sylvia Beirute


























a substância do verso não forma uma linha,
que o seu conjunto se assemelha
à representação de quiasmas. e então
falamos de células e da sua divisão marítima,
ouvimos, ali ao lado, alguém dizer, com a
autoridade de um LOBO:
{primeiro procuramos a solução,
depois sonhamos o problema}.
o certo é que vamos demasiado longe,
demasiado longe para a mesma certeza,
até que nos tornamos amovíveis.
de noite, cansados e sem a responsabilidade
moral de escrever um poema, e
sem mais precisarmos
de distorcer instantes na cidade subtil,
pensamos no silêncio.
{criar muita poesia é criar muito silêncio}, dizes.


( mais um dos seus muitos poemas seus que selecciono
porque a uniformidade da sua escrita nunca se esgota )

2 comentários:

Pedro R. disse...

comprei o livro dela "uma prática para desconserto" onde está esse poema e muitos outros.

João Afonso Adamastor disse...

E só posso acrescentar que foi uma excelente compra :)