
Doentes crónicos de amores
são loucos os líricos sonhadores
que de tão novos para parecerem velhos
são os mais contentes sofredores
que choram os seus fulgores
pelas picadas que soam a espinhos
das flores que tão bem (es)colheram.
Por isso, matem-se a vós próprios
com os vossos corações quentes
deixai-me aqui só (não peço mais)
com um garfo de dois dentes
enquanto vão à ribeira dizer aos moços
o quanto deles vos fazem doentes
que eu fiquei assim como quis
festejando com uma taça de frutas
vermelhas e sem caroços.
Poluí-se tanto a palavra amor
com sensações que (não) se sentem
que nunca traduzem num entendimento
a mais autêntica ingenuidade
que define um sentimento
e como soubesse bem o que isso seja
sem cair no ridículo desse engano
simplesmente não digo
que é por tanto te amar assim
que na verdade não te amo.
Com tudo isto, sei
o quanto amar (uma mulher)
é acreditar-se poeta
e fazer dos outros o que não são
numa ilusão fugaz de permanência
sem quebrar um prato de redenção
neste fino presente desejo de ausência.
2 comentários:
Por isso é que eu não gosto de poesia (o título...)
Não se gosta de poesia pelos títulos... o título não faz o poema e só o que vem descrito no poema é que trata a poesia. Contudo, o próprio título não é inteiramente do meu agrado, nem tem de ser.
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