7.09.2011

Amar é acreditar-se poeta



























Doentes crónicos de amores
são loucos os líricos sonhadores
que de tão novos para parecerem velhos
são os mais contentes sofredores
que choram os seus fulgores
pelas picadas que soam a espinhos
das flores que tão bem (es)colheram.

Por isso, matem-se a vós próprios
com os vossos corações quentes
deixai-me aqui só (não peço mais)
com um garfo de dois dentes
enquanto vão à ribeira dizer aos moços
o quanto deles vos fazem doentes
que eu fiquei assim como quis
festejando com uma taça de frutas
vermelhas e sem caroços.

Poluí-se tanto a palavra amor
com sensações que (não) se sentem
que nunca traduzem num entendimento
a mais autêntica ingenuidade
que define um sentimento
e como soubesse bem o que isso seja
sem cair no ridículo desse engano
simplesmente não digo
que é por tanto te amar assim
que na verdade não te amo.

Com tudo isto, sei
o quanto amar (uma mulher)
é acreditar-se poeta
e fazer dos outros o que não são
numa ilusão fugaz de permanência
sem quebrar um prato de redenção
neste fino presente desejo de ausência.


2 comentários:

Herético disse...

Por isso é que eu não gosto de poesia (o título...)

João Afonso Adamastor disse...

Não se gosta de poesia pelos títulos... o título não faz o poema e só o que vem descrito no poema é que trata a poesia. Contudo, o próprio título não é inteiramente do meu agrado, nem tem de ser.