6.27.2011

Tudo num nada




























Não falarás da morte
nem dos males de amor,
se é vida que corre em ti
nesta luz que me atravessa.

Eu ainda estou aqui quando não vês,
qual é o motivo de não ser visto?
será por encontrar-te em toda a parte
e assim também não te ver?

Prefiro a matéria concreta e concisa do tempo,
preciso a matéria concisa e consciente do tempo,
prevejo a matéria consciente e concreta do tempo,
a matéria concreta concisa e consciente é este espaço.

As horas não têm esta idade,
a identidade das horas é especulativa,
as ilusões do tempo são esta mesma realidade
(por bem ou por mal, para nós sempre merecida).

A arte é um sinal perdurável dos homens
como marca imprecisa de si no seu espaço
e que deixam como vestígio de tempo passado
para assinalar uma madura mortalidade duradoira.

Então, será tudo isto um nada?!
é certamente tudo isto sempre um nada
se é feito com o propósito desinteressado
de registar em rigor a beleza do que é inútil.

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