4.22.2011

Estranhez






















É na praça velha onde escuto as mesmas canções
que outrora falavam aos corações quando não havia nenhuns
e aprendo a recordar enquanto me lembro de esquecer
sem nunca conseguir fazer gastas as memórias.

tu vens e dizes-me que uma alma nunca está cheia
mas mesmo assim prefiro sempre os desígnios de feiticeira
que me prendem sem me agarrarem e sem volta a dar
se são inocentes os mesmos julgamentos do olhar.

e digo qualquer coisa para não me fazer entender
que nesta estranheza comunicante procuro apenas estremecer
desconhecendo também por completo a tua língua assim te fiz
ao sentir-te estrangeira no meu próprio país.


2 comentários:

Herético disse...

adorei a primeira estrofe

João Afonso Adamastor disse...

A primeira estrofe neste caso não foi pensada como introdução, é sim todo o poema. Julguei o resto que vem escrito apenas como vozes de equilíbrio que transfigurei por apropriação e não fossem elas lembranças que me foram dirigidas. Assim, no poema não podiam ser digeridas numa conclusão, optei por resumi-las da forma mais hermética nesse arranjo que se trata por estrofe primeira.

Pelo reconhecimento de toda a poesia existente neste poema,
o meu Obrigado.