4.12.2011

como às vezes nasce um poema



























faz um poema esvaziando os bolsos das ideias e depois apaga o rasto de tudo o que ficou de ti para que não sobre nada que possa voltar a crescer-te das entranhas.

o poema nem sempre é bem rematado apenas são abandonas as linhas a que chamas versos e todo os seu conjunto dissecará sem alimento tornando-se extemporâneo.

não esperes que a poesia vomite estrelas se não deixares sempre algo por dizer para que não te comprometas com um fim entregue ao abismo negro já que a melhor palavra é a não dita que guardas para quem se destina mesmo que não seja para ti e nem para mim.

às vezes o poema nasce na incapacidade de atribuir um termo apropriado aos pensamentos que evaporam de tão voláteis que são como se fosse altamente etílica a doutrina da sua concretização ou como se a conjunção caneta-papel servisse de comburente no processo de criação onde as ideias envelhecem rápidas e morrem antes de chegar ao escrito.

surge assim qualquer coisa inteiramente diferente do propósito original pretendido sem que se atropele a sua razão fora dos territórios calculados e como às vezes nasce um poema de forma espontanea nestas condições normais de pressão e temperatura posso metamorfosear-lhe o sentido de forma a poupar-me para usá-lo noutro dia qualquer ou assim deixá-lo ficar indistinto.

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