3.17.2011

Imputação






















Arrancas o coração do peito e atiras-mo pras mãos
não sei se estava quente ou frio, deixei-o cair precipitadamente
e a verdade é que se estilhaçou no chão em mil pedaço
para agora a luz do sol multiplicar o seu brilho.

Talvez o coração nunca tenha existido
o que me atiraste foi um corpo vazio
e se o abismo não tem fim, só o céu é um novo começo
do qual continuamente me afasto.

Vem o vento, as alturas e as vertigens
numa aceleração de mais um princípio nefasto
tão grave como paragens bruscas
onde me agarro ao que resta com a força dos braços.

Por fim deixas o teu sorriso ingénuo de inocente
que se estende magoado num olhar de marés
e se não é a tormenta que me arrasa, nem me faz doente
arrasta-me apenas para outro porto seguro.