12.17.2010

Bovarístico



























nunca vi
um olhar tão próximo
tão dentro de mim
numa proximidade cristalina.

nunca me senti assim
tão verdadeiro (tão confortável)
nesta presença recíproca
que tem novo início em cada fim.

nunca chamei por ti
mas sempre chegavas
numa anunciação de paz
fazendo-me da fantasia teu arlequim.

nunca esperei o teu regresso
outrossim sempre que voltavas
numa ausência quase fugaz
entre conversas de botequim.

agora quando fecho os olhos
tudo o que vejo é o teu olhar
e entrego-me aos sonhos em boletim
sem receios de acordar.