11.07.2010

Desanexo
















Iguazu, Rendy Pangemanan




Imperatriz ilusão dos sonhos,
Até os homens notáveis têm os seus devaneios
Desejando muitas vezes o que não querem.

Na Amazónia ainda existem índios que acreditam em Tupã,
O criador que desceu à terra num trovão e soprou vida nas formas homens,
Depois deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu.

As verdadeiras histórias nunca têm principio nem fim
Quando se abre um livro a meio e começa-se a ler
Sem entender o que estava escrito nas páginas anteriores.

Jurupari é o deus da escuridão e do mal,
Que visita os índios em sonhos assustando-os com pesadelos e preságios,
Já Kurupi só em noites de lua cheia atormenta a vida dos índios e dos animais.

Só importa descobrir o que segue em frente,
Preferencialmente páginas brancas e tinta
Para quando escrever algo novo não assusta.

Os dois filhos de Abaangui disparam flechas ao firmamento,
Formaram correntes e treparam até ao céu onde ficaram,
Transformando-se no sol e na lua.

Um livro pesado e fechado na cabeceira serve só como conforto.
Não ajuda adormecer e não pode assim ser compreendido,
É como um descanso silencioso, uma almofada dos sonhos.

O rio chama dois jovens amantes para fugirem numa canoa
Mas Naipi estava prometida ao pajé de Mboi - filho de Tupã
E Tarobá é condenado a contemplar eternamente Naipi sem poder tocá-la.

Há livros que se abraçam,
Que se levam em qualquer viagem,
Que se memorizam em palavras, texturas e cheiros.

Furioso com os fugitivos, Mboi na forma de uma grande serpente
Penetrou na terra, retorceu-se e formou as cataratas de Iguaçu,
Tarobá foi transformado numa palmeira e Naipí numa pedra junto ao grande abismo.

Dizem que os livros ardem mal,
Que as pessoas são livros abertos,
Mas nem sempre é verdade.

Ainda há índios que dançam em adoração ao sol,
Que temem que a noite possa conquistar os amanheceres
E que fazem fogueiras para afugentar os demónios da floresta.


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