6.01.2010

Rosário dos Cânticos




Se um beijo não me dás
Sabes quando só dois são pouco,
Que o teu bem faz-me mal
E a proximidade é um sufoco.

Quando só a fingir é que se bebe
Dos bons licores a imaginação...
Sabes que uma mesa são só tábuas,
Uma cama faz-se de um colchão
E é no lago que se fervem as águas.

Por pensares-me como louco
Só a quase nada me poupo...
Para me encontrar quando me perco,
Para te receber enquanto dou,
Para assim deixar-me só
Exprimir o que não se deve.

Quando não te encontro sempre
Ou quase nunca e em qualquer lado,
Sem nunca conseguir expor
Que não acreditas no amor
E toda a vida é uma operação.
Deixa, reconheço-o...
Nem fantasia, nem perdão.

No alento dos meus pensamentos
Dignos, profundos, sinceros e ausentes
Apenas resta a ilusão que se estima,
Que me consente a apartar
Do brilho do sal e do silêncio do teu olhar...
Será assim que o princípio não tem fim,
Quando num infinito sorridente
Te deixas aproximar de mim.

[Ago.08]

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