6.12.2010

Diário Nocturno



A madrugada vê-me como eu a vejo
Quando acabo de chegar dos sonhos.
As suas palavras são terramotos interiores
E, por muito maior que seja o meu desejo,
Tamanhos são os meus horrores.

A manhã chega num abraço de luz
Que guardo num grande porta-retratos.
As suas reflexões são espelhos nítidos
E, por mais que aprecie cenários abstractos,
Místicas são as intuições ilusórias dos sentidos.

A tarde persegue-me como uma continuação
Quanto mais pesado me trata o almoço.
As suas sensações são juras de paz
E, por muito que me castigue a razão,
Apenas sei do que me sinto capaz.

A noite começa num chamamento do graal
Querendo num desabafo oferecer-me as trevas.
As suas pretensões são pedidos de abandono
E, por mais que me impeçam as reservas,
Destemidas são as aspirações que me roubam o sono.


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