5.28.2010

Despertar Canónico (p.3)


Agora, o vento afasta
a neblina que encobre
as minhas miragens,
encontro os meus horizontes
com a nitidez das palavras.
Nada em mim mudou,
nem a vontade de me esconder
em dúvidas e lamentações
de tudo aquilo que quero ver.
Amanhã quero ser assim,
e como o saberia antes?
Emancipado navegador
de desmedidos sonhos diletantes,
sem crenças angustiantes
no herói que não sou.

Agora que o sol já aquece
e os deuses regressam
a quem os aclamou,
procurarei as novas razões
que dispensarão de justificações
para os demónios da consciência.
Guardarei em mim as profecias
de quem solenemente anunciou
esta minha estranha passagem,
porque agora é tempo
de atravessar as águas agitadas
e venerar a outra margem,
onde vivem as ilusões
de quem inspira fantasia
em dissimuladas confissões.
Procuro todos os dias,
para sorrir, novas razões
onde esta alma desprendida,
acordando como o sol,
se faça anunciar
numa explosão canónica
de números exaltantes.

[Fev.07]

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