5.28.2010

Despertar Canónico (p.2)


Padeço imóvel
aos transtornos da vida,
julgo que por outras aflições
encontro a alma
um pouco mais decidida.
Agora é tarde
para quem quer voltar atrás,
se a máquina oferecesse
uma outra aventura
talvez esta seria igual,
porque me é banal
como a minha indiferença.
A sensação que perdura
projecta-me na vontade
de quem se esquece
que o orgulho esmorece
em números incompreendidos.

Não procuro o que perdi,
nunca esperei ser nada
para além do que hoje sou…
apreendendo a lição coragem
de quem agarra com empenho
o controlo determinado
das obrigações do seu tempo.
Por vezes esqueço-o
ao notar sem agrado
o fútil débil sabor
de horas desperdiçadas
que usei em seu louvor,
numa angústia descomprometida
do que podia ter feito
e não o fiz, hoje sei.

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