5.02.2010

Chagas


Palavras que devoram enternecidas
As vontades do meu alimento,
Brancas eternidades que pasmam
E só assim me prendem
Como as raízes das memórias
Que vivo vencidas e sem glória,
Pelo que espero, soturno e incauto.

Tiro férias, não descanso,
Vivo só e desatento.
Se não me falta o pão, nem a carne,
Sei que escrever não me enche a boca de sustento
Por mais que a sede das letras se faça maior,
Que maior ainda é a dor e deixar de sonhar.
Quanto do viver é arrastar-se,
Quanto me resta para ser verdadeiro
E ainda assim precisar de acreditar
Que vencer será sempre continuar.

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