5.03.2010

AVIVA



Encontrei-te num outro dia,
Já não te via, sei lá, há que tempo.
O local pareceu-me a jeito,
O diálogo fugaz e delicado,
Descomprometido ao contrafeito.
Ainda me retenho perturbado
Pelo espanto que dedicas à visão.
Soube bem como o tempo castiga
E somos nós escravos na sua servidão,
Que os ponteiros não param
Quando te deixam o olhar sem evasão.
Relembro como era realçado
Pelas sombras que o encobriam
No seu brilho etéreo radiante…
Agora, sem pinturas e feitiços que enfeitam,
Mostra-se num semblante mais profundo,
Cansado e carregado.

Sei que também estou envelhecido
Pelo passar de poucos muitos anos.
Deixei de sorrir, de me pasmar patético
E trago nos olhos cravados
Um aflitivo boicote aos ponteiros.
Como tantos outros conhecidos
Reconheces que estou mais alto e esquelético
Mas todos sabem que sempre fui assim,
Embora nas diferentes proporções
De um descondicionado ecléctico.
Nada interessa o que dissemos,
O que importa é que falámos…
Sim, agora tenho barba que se desfaz diariamente,
Tomei controlo no tamanho e ordem dos cabelos
E é de saudade ou outra coisa aparente
Que se me transbordam os olhos, enquanto os teus
Foi tão-somente um gosto voltar a vê-los.

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