4.11.2010

Satisfação Comprometida


O tempo passa
tão demasiadamente depressa
que não te deixa viver
intensamente os momentos
de um modo que te contente,
mesmo sem que a esperança esmoreça.
Os anos perdem-se,
entre os dias dos meses e as estações.
O passado parece-te
longinquamente ausente
e o futuro que há-de vir
um horizonte continuamente distante.
As horas já não fazem sentido,
não as vives como desejas
e enquanto do mundo surgem queixas
o essencial fica por definir.
Esperas clemente,
em voluntária ansiedade,
por mais um ocaso...
Fechas os olhos e repousas,
deixas-te ir a flutuar solenemente
para lá dos limites dos sonhos
que vives só como fieis fantasias,
quiméricas sensações não sentidas
e despertas o sol antemanhã.
Vives numa contínua satisfação comprometida,
majestosamente já sofrida...
O requinte avassalador do funesto trespassar
que te presenteias o mundo com o olhar.
Talvez num instante efémero de infinito
o coração seja mais verdadeiro que destemido
para que consigas libertar com estrondo
a mágoa tentadora de um desejo perdido
pelo teu coração não poético.
Os nossos destinos
reservam-nos sempre novos encontros.
Perdoa-os por mais que se atrasem,
outros já esperaram por ti...
Segue graciosamente a discordar
mas sem tentar encontrar
outros sentidos trágicos
ao que se procura acertar,
porque num qualquer contratempo
vais deixar de te descrever
através de um espelho irregular.

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