4.08.2010

Fuga e Contraponto



















Fantasmagórica penitência
Distinta e pertinente,
Será esta essência manifesto
De uma ausência clarividente.
Trata por vós o disfuncional afecto
Com finezas tão próprias,
Discorridas flores de valdevinos,
Que fazem dos reais sonhos gracejos
Em enigmas sofredores e peregrinos.


Rumai por aí fora e encontrai-vos,
Que eu para voltar sempre nunca volto
A marear por entre os tempos banais.
Faço do pouco o espanto e do muito nada,
Profano sete quintas, pântanos e vendavais,
Que a vontade da sede pagã de tão vil é vã
E só por convicção ao farto canto beberei mais
Quando acalentado pelo já tardio vento suão
Ou por divertimento de outras insolvências surreais.


___________________________________________________________


«Fala a Loucura»

"Que digam de mim tudo o que quiserem (porque eu não ignoro como a Loucura é, todos os dias, reduzida a pedaços, mesmo por aqueles que são, ainda de todos, os mais loucos) mas, no entanto, sou eu, eu só, que, com a minha influência divina, distribuo a alegria pelos deuses e pelos homens."

Erasmo de Roterdão, in 'O Elogio da Loucura'

1 comentário:

Bia Rhaddour disse...

O blog anda cada dia melhor.
Parabéns.