4.06.2010

Concerto




Pesado coração e corpo-lento,
Pedaço confuso de sofrida interjeição,
Que gira quebrando as voltas do temperamento
E se não impera é tão somente imperfeição.

Olha-te peregrino e desconhece-te,
Não queiras ser vidente de transparências,
Como se desconhecesses o que vês no espelho
Por entre cores, cifras, cômputos e reticências.

A segurança do passeio não é para ti
Porque em vez de folhas pisarias outra gente,
Caminha antes, assim adiante, pelo meio da estrada
Mesmo com o corpo frio e o sangue quente.

Sublime gracejo venerável e decido
Tu que conheces quando surgirá uma nova aparição
Que se irá exprimir livre, tempestiva e não convencional,
Sem fazer dos outros favores o amparo da obrigação.

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