11.08.2011

Poetético







"Basta sentir que se poderia
viver sem escrever para
não se ter o direito de fazê-lo."
Rainer Rilke



















És mais que um tesouro,
mas há muito que os deixei de procurar
perder-se-me-ia assim a idade sem prosperar.

Fácil de entender,
o que encontro não sou eu mas outro melhor no caminho,
sem intermitentes falhas e acertos de comunicação,
coisas das tais para se compreender e julgar sozinho.

Que eu não quero
esperar por outras estações,
ansiar por demais disjunções
se foi para adormecer no mar
que se construíram as grande embarcações.

Desrespeitar
as regras e os dilemas,
outros jogos e estratagemas,
que os provérbios e profecias
foram tão somente consensos
com as palavras certas dos tempos.

Fui apenas
o que nunca soube, que nunca ligou aos dados,
entretinha-me a juntar letras em trajectos ondulados
e no meio de tudo não sou eu quem eu sou,
sou apenas um dos que desejam manter-se vivos
com as coisas que nos chamam de outros lados
e que ocupam espaços desocupados.

Patético,
nunca saber falar com estranhos,
pensar que as palavras escondem pensamentos e outros enganos,
acreditar que cada qual se descreve numa linguagem certa,
esquecer a sua própria quando lê e quando o autor não lha concerta,
esquecer-se de fechar a porta e ainda deixar a janela aberta,
julgar que a vida é um circo e há animais que gostam de jaulas,
que quebram velas, pisam terços e fogem sempre às procissões.

Isso sim!
descobrir que compreender não é julgar,
quantas vezes os códigos possíveis não têm lugar.
quando cheguei aqui tinha outra idade - a tua idade
e o unanimismo gastou-se onde os outros -ismos são sem sentido,
por vezes sofrer é não desejar e é assim que nos definimos.
os desabafos feitos de palavras que não têm um ritmo concreto
espalham-se assim banais em poemas com menos vontade do que um verso,
o que não fomos nunca o soube ao certo, cego de amorismo.

3 comentários:

raquel barbosa disse...

adorei o blog.
sigo *

Letícia* disse...

Mais do que perfeito*

E agora fiquei um pouquinho invejosa, desculpas-me? =P É que para se escrever versos desses é preciso ter talento :)

Beijito*

Ela disse...

Aprecio em demasia, os que conseguem usar as palavras para transmitir tantos sentimentos.
Obrigada pela visita.