3.04.2010

Corrente II














'Vuel Villa',
Xul Solar (1936)




Assim, quero estacar
e ganhar raízes na terra ainda húmida;
crescer verticalmente, encher os pulmões do mundo,
de braços abertos aos céus e aos ventos;
mostrar vestes verdes e o corpo contorcido,
que abana e não cai.

Depois, quero ser talhado para planar
e fundear nas frescas águas límpidas
dos rios que às vezes são como grandes planícies;
deslizar com a leveza do casco,
com a força das velas, seguindo a corrente
de mãos intensas na roda-do-leme.

Por fim, quero navegar as grandes ondas,
atravessar os mares e imensas tempestades,
fazendo fé contra qualquer borrasca;
alimentar a água com o sal derramado
pelos panos eivos e mastros despedaçados;
sem nunca deixar afundar a esperança,
cumprindo-se o destino das terras prometidas.


1 comentário:

Cirisley Steinberg disse...

um escriba dos momentos, da direção dos ventos uivantes, apontador dos sonhos e celebre pensador. Cara ta ai um blog gosto de ler, continue assim.

caso queira me conhecer:

filhodeavalon.blogspot.com

abraço