2.03.2010

Pequena Confidência


No seu olhar julgava existir um código claro que decompunha por mágica formulação, onde me pasmava calmo e aflito, sem qualquer comparação, absorvendo pela pobre janela da minha alma toda a sua gentil, franca e esperada salvação. Nele apenas encontrei encantos e inspiração, razões que por si só fomentam à exclamação das formas em que me expresso e lhe destino tão cobarde e louca, patética, fatal admiração. Como fraco sou com esta inaudita consciência, sem mesmo assim fazer-lhe frente e resistir, confiando-lhe pequenas coisas que são versos placidamente descritos, feitos com a intenção dos sonhos imaginados, como retratos de luz, que lhe ia contando em segredo e que ela simplesmente fingia não ver, confidências que nem mesmo eu conseguia resguardar do mundo. Resta somente esgotar-me neste estranho ardor onde soturno reconforto-me e cauterizo apenas por desejar que o frio não ultrapassado, de tão gasto, oculto, estranho e maltratado, já não se consinta sentir com a breve indiferença dos meus estóicos pensamentos consagrados aos pequenos todos que me dão vida e humildemente sempre espantei.

Sem comentários: