2.01.2010

Estudo sobre o acordar




Amanhece
enquanto viajo numa irrealidade
onde aparentemente fui enganado
por mim próprio.
Acordo enfim
tudo se encontra no mesmo lugar
à excepção do meu entendimento
e as horas que se seguem
são o verdadeiro tormento.

Sonhos tão fortes
e não só leves pesadelos
num despertar violento
desse som disforme.
Organizo a vida
num turbilhão de informações
de dados extraídos inconscientemente
no recalcamento das horas vagas
ausentes de esforço físico.

Levanto-me cansado
viajei toda a noite
sem passar o tempo em claro
acordo só alienado.
Penso-me esgotado
mas sigo rumo ao novo dia
devaneando acordado.
Que sem o alarme soar
todos os sons parecem ruído
todos me fazem despertar.

Procuro no céu a luz
mas não a vejo
ainda é demasiado cedo
ficam as dúvidas e o nevoeiro
ficam os mistérios e as brumas.
Por isso gosto de me fazer
como o sol nas manhãs
em que se esconde nas nuvens.

Gosto de acordar
e encontrar-me no céu
sem tristezas, sem mágoas
no conforto das alvoradas.
Gosto de acordar
e reconhecer-me
como reconheço o dia.
Acordar e viver como devia
quando todos os sonhos
são tão somente fantasia.

2 comentários:

Leto of the Crows disse...

Gostei imenso do poema (como sempre, se não gostasse é que seria estranho xD)

Abraços ^^

t i a g o disse...

Desde o título, até aos sentimentos que ele transmite e com os quais me identifico, adorei este poema.