2.10.2010

Ascético














Rapto na Paisagem Povoada (1947),
António Pedro



Se é por mim que esperas,
desesperas. Vejo o tempo passar-se,
roubando anos às marés, como
grão de areia a deslizar numa ampulheta.

Sabes bem que eu vejo mal ao longe,
tudo confunde-se-me por ilusão da retina.
É por isso que apenas consigo focar o hoje,
porque é dele que respiro, é aqui que eu vivo.

Também é assim com o coração,
que frequenta razões, outro lugar
enquanto não dou corda aos lamentos.

Depois vou-me desdobrando em sonetos
e vejo bem de perto, com a respiração,
os ponteiros transbordarem de movimentos.

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