1.23.2010

Subversivo
















O poeta das sensações
quando escreve fala dos outros,
raramente pretende ser ele próprio.

O poeta é recorrentemente mentiroso,
como um daqueles cobardes honestos,
que quase sempre diz que é o engano
e só ele é que acredita na verdade
com a imaginação.

Eu sei que não tenho fé nele,
da sua mensagem apreendo apenas
sombrias vagas de ilusão.

O poeta também tem sentimentos,
prefere é abranger-se das sensações
e distribui-as ordenadas pelas prateleiras,
com excessos reservados às validades
e à frontalidade dos rótulos.

Quando o produto expira,
atira-o para o arquivo
esperando que lhe seja atribuído
o conforto da baixa espiritual.

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