1.23.2010

Findar

«Findae, senhora, que
o bom dia é escuro.»

Com as irradiantes cores da primavera outonal,
Chega num cumprimento de olhares,
Que o inverno vai próximo e o frio sente-se
Partilhando o mesmo mudo gesto
De quem compreende e espera por outra aurora.
Que só o silêncio nos reconhece,
Aforismos e diletantismos de uma nova era.
Não será esse o ritmo da natureza?
Já outra não será a minha demora,
Clareza que se empalidece com o tempo,
Com as horas, com as estações.

Findai, senhora, findai os mistérios...
Que é de morte o meu desalento,
Subscrevo de memória a origem do espanto
Na melancolia deste quebranto.
Perco-me na beleza da elegância,
Sigo pelo autismo, finco-me de desesperanças.
Porque não é de sede ou fome que corisco,
Mas venho da ilusão, fraco e combalido
Por me enfatizar pelas folhas
Sem as subversivas cores fundamentais,
Que padecem pelos passeios e pelos jardins.

Divergências, paradigmas, aflições...
Renego as minhas sem outras pretensões.
Nego-lhes os ventos e os vendavais,
Que as suas palavras nunca chegam
Aos limites de outras sensações.
Encontrei-me com a ostracização do ego
Na incapacidade de atingir falsos objectivos,
Abneguei-me dos raros efeitos
E nunca precisei viver de sedativos,
Que a minha essência tem o ânimo livre
De um louco caminhante clandestino.

Resiste a adoração pelo fascínio
E as suas feições perdem-se para além dos olhares.
Fossem elas mais do que brumas e derrotas,
Sejam eles mais do que mistérios e antecipações,
Meros radiantes, abismos de luz...
Dilacerando os pensamentos, os juízos e as razões,
Asfixiando as mudas deglutições
Em falsas esperanças e surdos bramidos
Assombrados pelas ondulantes primaveras do silêncio
E que me cegam com os mais básicos caprichos
Em que se deleitam tanto os desejos, como as fantasias.

Sem comentários: