11.23.2009

Singularidades




Prendem-se-me as singularidades descritivas
Sem julgar pela geometria das figuras.

Sou como um míope que finge ver mal ao perto,
Contentando-me assim mais com os traços de personalidade
Do que com a deslumbrante vulgaridade das aparências.

Só bem junto se vê o verdadeiro sentido
Sem receio de se atrapalhar com os empurrões.
Atalhando consciências pelo caminho errado,
Povoam-se mal as minhas pretensões.

A vida é muito mais do que um livro aberto,
Padecia por insolação se tal assim fosse
Que o tempo transforma vocábulos em reticências...
Eu retiro-me apenas quando me componho de letras
E guardo as minhas profundas viventes divergências.

As folhas cheias de dissentimentos ofereço-as aos ventos
Seguem com eles pelo ritmo das pausas e respirações.
Uso-as para entalhar a escrita nas palavras,
Escavando o espírito imaginário para o tornar fundo,
Aumentando assim a minha distante omnipresença no mundo.




11.21.2009

Atracção



O pacto que havia entre eles
era o de não se enganarem
com as suas pretensões.”
















Sempre onde a vejo
O pouco ou nada que lhe falo
É um certo capricho do efeito
Onde me entrego e agonizo
Às câmbricas vibrações volúveis.

Venho das terras da utopia
De onde me faço descomedido mas verdadeiro
Já que não me confundem as ilusões
E no mundo real procuro hoje a profecia
De um sonho não sonhado em fantasia.

Conheço bem a condição humana
Não me assustam as ficções morais
Promovo o carácter das minhas e basta
De desilusões, decepções e desenganos
Tormentos, fingimentos, relações banais.

11.15.2009

Mundo a Preto e Branco - Fábrica de Letras



Já hoje o mundo poderia ser de todas as cores,
Sendo as cores apenas uma só nos tons brandos do fado
Que nunca se pode profetizar na dimensão do preto e do branco.

Ainda há quem insista que o tempo se perde lá fora
Na sagrada dicotomia das pautas e das récitas,
O que erradamente fica do contraste entre a tinta e o papel
São as negras raízes do mal e não a brancura da paz,
Impropérios e escrituras onde se vislumbra um destino de remição gasta...
O ritmo dos pensamentos, palavras, actos e omissões deve-se à natureza
E não certamente às rezas que se prendem no etéreo jardim da ilusão.

De todo o preto e branco surgiu o universo inimaginável
E a sua verdade está muito para além da escuridão e da luz.
Não se desesperam as omnipresentes ausências da cor
Aos próprios que se entendem por entre retratos de cinza amarelados
Que foram valentias passadas de velhos clássicos, mudos, épicos combates,
Que agora são jornais e cópias baratas, mármores, marfins ou chocolates,
Que sempre serão uns e zeros, o passado do futuro, o mal e o bem.



["Guaranteed" : Eddie Vedder (Sony/BMG)]


Participação no desafio de Novembro proposto pela 'Fábrica de Letras'