3.31.2009

Averiguação Composta*

Os dias chegam
E com eles os versos
Em que me decomponho;
As noites caem
E assim regressam despertos
Os desejos que eu suponho.
Na morte ficam sós
Os meus cadernos de poesia,
Com traços nunca ousados
Onde respirei fantasia.

Divago procurando à distância
A distraída simulação
Do castelo ao qual confio
A guarda dos meus sonhos,
Em parábolas desmedidas
Pelo sibilado silencioso
Dos meus tormentos vulgares.

Esquadrinho em sentenças
Impressivas as minhas aspirações,
Julgando ver os quadros desertos
Quando estão apinhados de multidões,
Fartos e dispendiosamente excessivos
De exuberância e desperdício.

Maldito seja o vício
Que não o nego
Nesta minha libertinagem...
Os meus versos não têm cura
E sempre me motivam
A uma outra nova aragem
Que me recorda de onde parti.
Quando nem os dias
Nem as noites chegarem
E eu julgar que venci...
Só as palavras ficarão,
Serão o que resta de mim.

Muralha

A muralha daquele velho castelo
Não é tão velha como parece,
Apenas finjo a sua idade
Com a vontade que me apetece.
Nunca padeci de falta de razão
Na irracionalidade a que me motivo,
Se tudo fosse tão concreto
Cessaria o meu veto construtivo
De involuntariamente fantasiar.
O quanto insensível seria
Esse meu lamentável ar
Se a sua muralha de sonhos
Pudesse enfim desabar,
Se apresentasse outra imagem
E o mistério se desfizesse,
Esquecendo a verdadeira mensagem
Que esse castelo me oferece.


"Aquele que tudo pode suportar,
tudo pode tentar"
(
Luc de Clapiers)

3.28.2009

Poeta Inexistente

Descubro o que não sou,
Que não existo e nada penso.
Julgo apenas encontrar-me,
Repousar e ficar suspenso.

Descrevo-me igual a outros,
Semelhante a mim próprio…
Num quase nada ausente
De desgraça e infortúnio.

Se me vejo capaz
Sinto-me indiferente,
Igual a tanta gente…
Embora exagere no gosto.

Não desperto o manifesto,
Também sou humano, indigente…
Fazendo-se passar pela sombra
De um poeta inexistente.

Sinto e obedeço

Sinto e obedeço
Às fortes palpitações
Das ilusões que agora
Ganham novas cores,
Repetindo nos mesmos sabores
A traição dos meus sentidos
Que lhes respeitam obediência.

Não sei o que deva negar,
A razão ou a sensação,
O espanto ou a admiração,
O físico ou o espiritual.
Vivendo eu em equilíbrio
As palpitações que me controlam
Num expansivo estado anormal...
Surgem novas cores,
Sinto-as e obedeço
A tudo o que me recordam.



Despedida

O comboio parte, o teu olhar
Despede-se pela janela
Como se esperasse
Pela ausência de palavras
Para me falar da verdade.
Partes só,
Quanto tempo irá passar
Até regressares de novo…
Será que chegaste a partir,
Tudo me diz que estiveste cá,
Julgava conhecer-te bem…
Mas agora certezas não as há.

3.26.2009

Nunca é tarde*

Não me conheces,
Eu também não...
Numa recusa tão exigente,
Como a tua voz displicente
Que renega a minha atenção.
Parece que já fui escrito
Apenas como o registo
De um novo verbo
Fresco e em emancipação.

Não descuidarei,
Nem nunca negarei,
Uma fiel maturação
Dos meus pensamentos
Dóceis e fragilizados
Pela melancólica divagação.
Ainda tenho tempo...
Muito tempo para sonhar,
Quanto poderei desperdiçar?

O meu desespero é variante,
A minha idade vacilante,
A
inda tenho muito a suportar...
Deixai-me inventar desejos,
Deixai-me imaginar.

__________________________________________________________________


Regresso Pasmódico

Depois de navegar
Toda a noite no mar de sonho
Em que vivo, desperto.
Não é tarde
Quando o sol regressa
E aquece a visão
Da forma redentora
Em que revejo as cores
De uma manhã distante.

Tudo se apresenta
Mais claro, mais concreto,
E é neste meu jeito desperto
Que perpetuo a mesma voz
Esbatida em travos de café
Ou algo mais que reivindique
A necessidade de acordar.

Os dias são sempre
Breves, belos e frágeis...
Assim, gosto de os saborear
Da forma mais tentadora
Que me deixe fantasiar.
Depois regresso à noite,
Pronto para navegar
A memória cinzenta dos dias,
Quando não me esgoto
Por desejar ou recordar.

Neste tempo que desvanece
Não me perco eu...
Continuarei a sonhar
Como forma de acreditar
Na verdade retida
Nesta forma indefinida
De me reinventar.

3.25.2009

Um quarto para o mundo

A janela do meu quarto
É a porta do meu mundo,
Não essa caixa irritante
De fraco ruído profundo.

Procurei nela ilusões,
Desconhecendo as razões
Do que me faz viver assim.
Nela não encontrei fantasia,
Porque essa vive em mim.

A minha vida são palavras
De um pesado livro confuso,
Um incompleto dicionário
De férteis profecias sem uso.

Procurei nelas explicações,
Só desenvolvi divagações
Com as marcas do meu tempo,
Senti-as verdadeiras
Como um perfeito argumento.

As palavras do meu mundo
Têm isso de fenomenal,
Ao respeitar a sua elegância
Fizeram-me inspirar as brumas
De um desejo sobrenatural.



















"Acabou-se a angústia/ Dos seus passos em volta"
(Abriu a janela e voou ... )

Imagens Poéticas

Num disparo cauteloso
À imagem escolhida,
Perpetuo na luz
De um raio-reflexo
A fiel redenção
Das cores disponíveis,
O brilhante chamamento
Do espaço e da sedução.

Num saudoso fingimento,
Num lamento da visão,
Procuro a marca dos instantes
Em traços fulminantes
Dessa luz em propagação.
Transformo em memórias,
Em imagens poéticas,
As divagações desse tempo
Que levou a gravar
Num plano físico
A duração de um pensamento.

Transformo as palavras,
De uma vontade natural,
Em imagens traduzidas
Por mil e uma cores
Que me orientam
Ao conforto mental.
O que não compreendo
Posso julgar existir
Num apelo aos sentidos
De mundos divididos
Por redutivas percepções.

3.24.2009

Centrifugação

Separei as roupas na lavagem
E pousei-as no estendal...
Confio ao sol a sua secagem
Mas alerta-me o tempo
Para a recusa desta aragem.

Lavei a alma com luxúria
Não receei pelas suas cores...
Suponho que as mesmas,
Nas suas indignações,
Já se encontram há muito desbotadas.

Remendei as suas feridas,
Redefinindo velhas cicatrizes...
Acredito que tais marcas
São as minhas memórias,
As mais coerentes directrizes.

Novo Início

O tempo já não espera
Por que largou no caís
A bagagem da infantilidade

Os dias sempre mais pequenos
Deixam-se passar velozes
E as horas da meninice devagar

Agora surgem de modo a atormentar
O patético e atónito descanso
De reparos e aflições sem fim

Descontraí, relaxa, repousa
Que o tempo passou breve,
Lá longe... na dita infância.

3.22.2009

Averiguação Quadrática

Quatro linhas são o começo...
É neste plano que as faço existir,
Não as procuro noutro espaço,
Se têm as dimensões do meu traço.

Optei por uni-las em quadrados,
Fiéis às suas dimensões...
São como segmentos de diferentes rectas
Às quais proponho novas direcções.

Linhas, pontos, derivações...
Iguais nas suas lateralidades,
Fechando nelas os seus dons,
Como todas as variabilidades.

Quase sempre surgem difusos
E sem uma correcta proporção.
Surgem trapézios, rectângulos,
Outras vezes quase triângulos.

Mas sólidos quadrados não...
Se não respeito as razões,
Se só lhes dedico imaginação
Com as voltas que dou ao papel.

Quando me faço nas minhas paragens
Surgem sempre outras figuras,
Projecto sempre outras efígies,
Sem quadráticas estereotipagens.

Nunca desenho quadrados perfeitos
E os meus círculos são abstractos...
Os triângulo fazem-se sempre confusos,
Estranho-me com as suas relações.

Os mais abertos são obtusos
E não consigo entender os rectos...
Outros há que fazem-se mais espertos,
Duvido dos seus motivos tão concretos.

As intersecções destas figuras
São um algo sempre fascinante,
Do todo que lhes é internalizável
Só a mim fazem-se parte as definições.

Dos pontos equidistantes
Não se fazem as partes,
Os seus espaços integrantes
E excluem-se as suas obrigações.

Um quadrado pode ser rectângulo,
Provar o contrário é irrelevante...
Fico eu estático e recomeço,
Descrevendo quatro linhas de revesso.

Surge mais um trapézio
Que por mais recto que seja
Preenche o difuso tédio
Destas averiguações sem remédio.

Na minha nave

*I*

A vida que abandono
E ao largo vejo passar,
Perder-me nas águas
Em que solidão expiro
Para as navegar…
Almejando o infinito
Vejo-me assim a divagar
E a cada hora que passa
A melancólica vida
É curta demais para durar…
Envelhecendo sempre primeiro
Antes de ver o mundo mudar.


*II*

Da minha saudosa nave
Não sinto a terra girar,
Apenas escuto o vento…
Vejo só o tempo a passar,
Tão apressadamente como nunca
Já mais me foi possível desejar.
Dispersando de lugar em lugar,
Sem pertencer a parte alguma…
E ter o meu espaço no meu eu.
Talvez o único sofisma
Ao qual o meu espasmo
Ainda não esmoreceu.


*III*

A minha nave deve ser sempre outra
E não muda de lugar,
Ainda não encontrei as razões
Para verdadeiramente a reencontrar.
Nas mentiras de outrora
Ficam apenas recordações,
O brilho agora é forte
Talvez me aproxime do seu norte
Ou de um novo destino prometido,
Tal é a grandeza do meu engano.
Faltam-me anos para me aproximar,
Tempo demais para conseguir mudar.

3.20.2009

Articulação Introspectiva de um Adeus


Já consumi os dicionários pela rua, a minha loucura,
E o que em mim permanece não chega
Para apartar o cinzento do meu mundo.
Desperdicei tudo menos o silêncio.
Neguei aos olhos o sal das lágrimas,
Deteriorei o papel com a força das canetas,
Esgotei as horas e os bancos das esplanadas
Com divagações fúteis.

Recorro à memória e não encontro consciência.
Antigamente temia actos que produziam remorsos;
Era como se as dúvidas e os medos fossem meus:
Quanto mais delirava mais podia sonhar.
Por vezes julgava pensar: amanhã tudo será diferente.
E eu acreditava.
Acreditava porque em delírio todas as coisas são possíveis.

Mas isto era no tempo misterioso e oculto,
Era no tempo em que o tempo não acabava,
Era no tempo em que os meus pensamentos
Eram realmente delírios.
Hoje são apenas os meus pensamentos.
É pouco mas é verdade,
Uns pensamentos como todos os outros.

Já devastei as ilusões.
Quando agora digo: perfeição,
Já não se passa absolutamente nada.
E, neste meio tempo, antes das convicções desfolhadas,
Tinha como verdadeiro
Que todas as coisas estremeciam
Só de sentir o seu perfume
Na cegueira da minha utopia.

Não tenho já nada para mudar.
Como dentro de mim
Não há nada que desvaneça com a água.
O passado é tão fútil como o futuro.
E agora vos afirmo: amanhã tudo será diferente.
Adeus.

3.18.2009

Silêncio Indiferente

De que falas tu se te escuto,
Nada me dizes
Mas não me desvio
Da tua dolente voz.
Perco-me indefinidamente
Nas tuas interjeições,
Dedicando o meu olhar
Às mais patéticas observações.

No que penso eu,
Divergente em razões...
Cearas de trigo, sombras brancas
Ou nas tuas imperfeições?
Não sei em que medito
E desconheces tu
As minhas obrigações,
Estas estranhas divagações
Em que me esqueço.
Conseguisses tu entender
O que eu me recuso,
Quando distante da minha presença
Só as tuas palavras têm uso
Na sua silenciosa indiferença,
Para encontrar a imaginação
De tudo aquilo que nunca aconteceu.

3.17.2009

Irrealismos

Perco-me pela paragem idílica
Das coisas e do tempo...
Perco-me na amarguradamente doce
Melancolia do deslumbramento,
Respirando a contemplação.

Por rastejar ou voar
Nunca me ergo em cansaço.
Pudesse assim descuidar
A inaudível emoção
De contrariar apaziguadamente
Esta patética reacção,
Pensando-me indiferente à dor
Que sinto e nada promete.

____________________________________________________________
"Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê."
(Camões)

3.11.2009

Sinal Artificial

Apetece-me desenhar as estrelas
Neste papel frio, pálido, já usado
E manchado por mágoas e café...
Respondendo aos meus mistérios,
Às francas superstições estéticas,
Reinventando no espaço disponível
Novas e irreais constelações poéticas.
Para que assim possa viajar sorrindo
Como nebulosas de teor desmedido,
Nos traços arqueados que proponho
Ir mais além do tempo mal definido,
Para lá das minhas frágeis suposições.

____________________________________________________________
(... ao som de 'Paint the Sky with Stars', Enya)

Ganimedeias







'Horsehead and Flame Nebula'
Steven Orlando ('05)


As estrelas dormem de dia
Depois de verem o sol despertar,
A sua luz quente é radiante,
Um funesto manto ofuscante,
Já mais as deixará brilhar.

As estrelas escolhem a noite
Para brilharem na ribalta,
Já eu procuro na imensidão
O eterno luar, o horizonte de prata,
E no sol a minha fugaz salvação.

Se bem que as estrelas enfeitadas,
Aos meus olhos desenhadas,
São pecados escravizados
Por toda e qualquer vil ilusão.
Ainda bem que existem flores
Que se protegem da escuridão!
Vela por elas, a lua, as suas dores...
Aquece-lhes o sol o meigo coração.

Já as estrelas cintilantes
Julgam-se, no seu ar usual, deslumbrantes
Quando realmente apenas vemos,
Na sombra, as suas cores difusas
A algo mais do que quinzes anos-luz
De estranhos e confusos eventos distantes.

Se bem que eu me contente com o meu sol
Que me desperta pela manhã,
E no fundo do meu jardim,
Tenho a lua como meu querubim…
No enfadado fado dos meus sonhos.
Descobri nos seus enigmas
Novas constelações tamanhas,
Irrealmente diletantes,
Onde registo as suas estáticas direcções
À medida dos meus sofismas,
Sem as suas artimanhas, fatídicas e hesitantes.

3.10.2009

Outras Mensagens

Quem não gostaria de ser muitos,
Como muitos, os outros…
Mas muitos haveriam
De encontrar nos outros
O que eu hoje não sou…
Sei que sou um.
Não me perdi nas entrelinhas,
Fingindo no meu fingimento
Se o poético ultrapassar
A intelectualização das impressões.
Apelo à suprema imaginação
Para que torne reais
As minhas impressivas criações.


O meu código é outro
As minhas mensagem são outras
E sou único nas minhas personagens
Mas o mestre é outro,
Certamente não sou eu.


Sou a profecia do posfácio
De outro alguém, não eu,
Mas insisto na sua agonia.
Mais vago, intermitente,
Que segue o seu mestre
E não o criador em si…
Eu sou como o mestre,
Interpreto com os sentidos.
Mas reivindico a sua realidade imediata
E arquitecto a velocidade impetuosa
Dos desígnios da intensidade do tempo
Alegando exaltações ao pensamento.
O meu mestre é outro,
O profeta, não o seu mestre.


Sou o absurdo do mestre,
Conheço bem este fingir.
Aceito a matemática do mundo
E com a ilusão da lucidez
Confiro outras mensagens
Ao subtil mistério do existir…
Julgando ser só - a personagem.


___________________________________________________________________
Palavras do Mestre:

"Um poema é a projecção de uma ideia em palavras através da emoção. A emoção não é a base da poesia: é tão-somente o meio de que a ideia se serve para se reduzir a palavras."

"A única realidade da vida é a sensação. A única realidade em arte é a consciência da sensação."

"Interpretar é não saber explicar; explicar é não ter compreendido."

"O Essencial da arte é exprimir; o que se exprime não interessa."

3.09.2009

Personalização

Aguardava impaciente
a minha pausa para almoço,
quase pronto para devorar
o meu sustento inocente
e saudavelmente nocivo,
até que bateram na vitrina
desta minha repartição...

Sibilinamente alguém exclamou,
estiolou e suspirou...
Até que por fim
placidamente me interrogou:
'Olhe..olhe desculpe!
Troca-me este saco de sonhos,
por um cheio de projectos concretizáveis?'



Assim se esmoreceram
as minhas esperanças concretas,
os meus descansos eternos...
Porque alguém trocou,
sem intenção, a vontade de sonhar
por falsas ambições libertadoras.

Estouvadamente escutei,
duvidei e estranhei...
até que por fim
estoicamente murmurei:
'Olhe.. admito os seus receios!
Mais tais proezas são desconhecidas,
passe por cá amanhã ou depois,
talvez se encontre uma solução?'

Outras Idades

Há dias em que a minha identidade
Tem a idade que eu hoje tenho,
Outros faço-me com oitenta anos...
Como criança restam-me apenas
Alguns dos dias, meses e anos.

Há dias em que o desgaste
Dura por meses e anos,
Outros há com certeza
Que acreditam nos meus enganos...
Esquecendo toda a verdade
Daqueles dias velhos e profanos.

Há dias que desdenho a minha idade,
Outros que quase nada tenho...
Uns são divinos, outros enganos,
Os dias que quase vivi
São meses que se transformam em anos.

Há dias que não penso,
Outros há que só desejo
E em todos eles prevejo
Os meus desenganos tamanhos...
Só ontem compreendi
Porque pesam tanto os anos.

Há dias que não tenho idade,
Outros que me sinto com muitos anos...
Esquecendo-me nos desejos soberanos
Da criança que já fui.

3.08.2009

Enfim sós

Enfim sós, ao final da tarde,
Neste mundo onde o sol
Se confunde com melancolia.

É assim que ficamos,
Enfim sós, quando a noite nos abraça
Com medo, calor e simpatia.
Quando acordamos sorridentes
Julgando termos vivido juntos,
Enfim sós, uma distorcida utopia
Ausente da sua verdadeira razoabilidade.
Enfim sós, para mais um indiferente dia.

E é apenas quando ficamos assim...
Enfim sós, eu e a minha poesia,
Que se entalha em mim
As venialidades desmedidas
Dos sonhos e da fantasia.