1.08.2009

Folhas

Aguardo por papeis
Tingidos pelo tempo,
Repletos de pó brando
Nas entrelinhas de um sofisma
Preenchido pelo medo humano.

Em folhas que caem no chão
Governadas pelas estações
Deixo fugir o que nunca é meu,
Para partir sem duvidar…
Correr, esperar e entender
Que o espanto é sempre meu.
Agora que mais não sei ser
Do que apenas o que me penso,
Aceitando nos traços das memórias
As respostas mais peremptórias
Para a minha redenção
Onde se exprimem as cores siderais
Nas horas emprestadas à escuridão.

Certos momentos aqueles
Em que nos perdemos
De um fio condutor
E esquecemo-nos que partilhamos
As cinzas de outras queimadas,
As estradas já lavradas,
Os mesmos enganos
E não somente as sensações.

As impressões do mundo em nós
Têm distintas formas de se culpar…
Cada um sente-as como convém,
Eu dedico-lhes imaginação.
Sem se saber quais são displicentes
Poucos nunca as esquecem,
Todo o nosso caminho acaba sem segredo
E ficam sós, folhas enfermas,
Ocultas na sombra dos dias
Em dóceis, raras e intensas
Visões da luz e discernimento,
De novos e velhos lamentos…
Palavras escritas no esquecimento,
Em prosas e versos concretos
De um mesmo monólogo dialogante.