12.03.2009

Paradigma das Horas Brancas



Hoje sinto a falta do tempo

Para falar das coisas do mundo.

Gela-me este ar

Se respiro fundo

E esvai-se o calor em fumo

Nesta lenta combustão...

Contudo aquece-me o sol

Por quem rogo salvação.


Quem me conhece

Sabe que não existo

No paradigma das horas brancas.

E de outros tempos têm lembranças,

Em quadros e heranças

Dos meus sonhos desmedidos,

Das minhas opressoras ânsias.

Espero pelos cenários prometidos

À subtil ingenuidade

Dos meus modos comedidos.

Aguardo o calor latente

E guardo-o com saudade...

Memórias dos bens do mundo

Onde, com acordo,

Desperto as vontades que recebi

De uma manhã tão fria,

Aceitando-as como a dádiva

Ou o pagamento da minha remissão.


Inoportunamente hoje sinto falta

Deste desejo presente

De compreender tudo o que é existente.

O espaço, os corpos inanimados.

Os seres vivos, a humanidade.

Os princípios de toda a generalidade.

A razão, o pensamento e a natureza...

E não abranger este tempo frio,

Onde trocamos a sua certeza

Por uma sombria condenação.

Ainda assim aquece-me o sol

Por quem rogo salvação.

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