12.31.2009

luan oniuaba









oh sangue lamacento. que da cor dos orbes vislumbro os campos frios da carne em putrefacção. que são como rios sedentos pelos tons dos vinhos pardos. que são as sombras e os cinzentos. desejos cheios de flores nos enganos. corpos à contraluz de hienas famintas.

pressinto-me ali ou além. como que parado no tempo. escutando no contratempo velhos cânticos. lendas do pagão templo dos sonhos. vã urbe de glória e lamentos. que não é no escuro musgo da calçada ou das nebulosas o berço onde as guerras descansam.

caminho com o corpo erguido por entre marés encruzilhadas de dedicação e ócio. espaços infinitos de soturna lucidez. pleno e satisfeito sob a lua suprema de uma altivez desajustada.

só queria uma cama de um musgo mais verdejante. daquelas que não oferecessem dores aos corpos lastimados pela agonia desesperante da esperança. que em nenhum outro encontro calma e bonança.

quando farto vivo contra o fardo da cova grotesca. os abismos reais das falsas imortalidades. mas a simplicidade fez de mim devoto. consciente de uma vida apaziguada com ilusão.


*luan oniuaba - nénia pelos caminhos do fogo

1 comentário:

nina rizzi disse...

nossa, que bonito.
um beijo.