12.19.2009

Impassível

Ofereces-me o insondável vazio
Da dedicação que te consagrei.
Transformas-me num vagabundo,
Perdido nas miragens ambulantes
Do mar dos sonhos que naveguei.
Fazes-me beber o melífluo veneno
De estranhos enigmas diletantes,
Conseguindo que habitasse de novo
Admiráveis velhos mundos triunfantes,
Cheios de vida e cores radiantes
Que outros não clamam por ti.

E agora,
Onde estás na falta que me fazes,
Nesta indistinta inquietação?
Pálido é o silêncio do olhar
Anunciando o meu fim...
Se a existência é impassível,
O que restará de mim?

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