11.23.2009

Singularidades




Prendem-se-me as singularidades descritivas
Sem julgar pela geometria das figuras.

Sou como um míope que finge ver mal ao perto,
Contentando-me assim mais com os traços de personalidade
Do que com a deslumbrante vulgaridade das aparências.

Só bem junto se vê o verdadeiro sentido
Sem receio de se atrapalhar com os empurrões.
Atalhando consciências pelo caminho errado,
Povoam-se mal as minhas pretensões.

A vida é muito mais do que um livro aberto,
Padecia por insolação se tal assim fosse
Que o tempo transforma vocábulos em reticências...
Eu retiro-me apenas quando me componho de letras
E guardo as minhas profundas viventes divergências.

As folhas cheias de dissentimentos ofereço-as aos ventos
Seguem com eles pelo ritmo das pausas e respirações.
Uso-as para entalhar a escrita nas palavras,
Escavando o espírito imaginário para o tornar fundo,
Aumentando assim a minha distante omnipresença no mundo.




1 comentário:

t i a g o disse...

Certas rimas foram geniais. A própria fluência espantou-me. E o melhor de tudo é que não é só neste poema que escreves desta forma. Tinha perdido o rasto do blog em Setembro, mas eis que o voltei a encontrar, e desta vez vai ser mesmo de presença assídua.

É um espaço confortável, este. Parabéns :]