10.13.2009

Superstição


Julguei ter criado um pensamento mau,
como se soubesse o que é justo
com esta razão de
desdém...

Prematuramente desvendei
que esse conceito formado,
como não o esperava

não me oferecia satisfação,
não apresentava fundamento sério...
e deste modo, sem remédio,
já não passa de uma superstição.

Revi a gramática que me define,
procurando uma inflexível justificação,
e resolvi, sem prejuízo,
o
preconceito errado
a que outrora me referi.

No tempo intempestivo,
fora do tempo próprio que previ,
projectei-me no idóneo discernimento
que imprudentemente argumentei...
Mesmo assim, sobrou-me tempo
para que reflectidamente soubesse
como era desajeitado
esse meu descuidado deslumbramento,
essa minha estranha superstição.

Valeu-me a graça consciente
do meu racionalismo aparente,
para que hoje possa negar
todo e qualquer preconceito,
já que não posso negar a natureza humana,
a desgraça que destrói quem se finge herói
apenas por tentar agir sem vontade tirana.

Pensei criar uma funesta sentença...
mas permitiu-me a minha crença
diluir esse tão trágico desdém,
a sua fatal imprudência.

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