10.13.2009

In Compreensão


Ergue-se a incompreensão

Desconhece-se mas pensa-se nela

Confronta-se a rude barreira da inútil ignorância

Ao prazer desconhecido em se aventurar

Na infinita escuridão das plenitudes

Com ódios, com ganâncias,

Com sede de inocentes vinganças

Por medos reservados ao destino mortal

Aliviados por esperanças de falsas fés

Que de tão originais nas virtudes

São maneiras de se glorificarem

Mostrando-se feios, bárbaros e rudes.


Pobres caminhos verdes e bem pisados

Nas entranhas das estranhezas vividas

Em aventuras, vãs maldições...

Renego dos sonetos e serenatas

As viagens pela corajosa ânsia de libertação

A mente, ao luar do monopólio da razão

De espírito retraído à sanguinária violência patética

De egocêntricos amargurados

Por tão reduzida inteligência

Pela deslealdade face à beleza na incerteza

Eu não a sei, apenas sobrevivo

Contemplando a sua complexa simplicidade.


Os tempos estão alterados

Desvendam-se culpas perfeitas que nunca existem

Erros de um absoluto comodismo global

Há o fumo perturbante e os estreitos maquinismos morais

Velozes, galopantes de tão brilhantes nos amarelos e cinzentos

Com os seus numerários e cânones embaciados.

Olham, chegam e partem...

Não se notam porque mudaram

Chegam sempre sem nunca partirem

Ninguém olha, outros sós reparam

Que são outros os espelhos desta sociedade.


Loucas passagens são os sonhos ultrapassados

Melancólicas imagens e sensações interiorizadas

Ser sofredor que o seja apenas como um trabalhador indefeso

Onde do rude potencial surge uma ilustração caótica

Um misericordioso eterno porque não faz juízos semânticos

Não cumpre os requisitos e dá um passo atrás na chamada

E logo é enviado para o estaleiro da compreensão e da espera.




Sem comentários: