10.30.2009

A Cela

Frio antro onde me escondem

Pérfida prisão onde me dou
À dor alarmante da graça de quem não sonhou.

Vendo-me longínquo ao tempo
Dou-me irascível a quem me usou
E estranho assim por perder-me

Ao ser quem nem sempre lutou.

Absorto pela revolta que ao vento surge

Embebido nos desejos e na sombra que me esconde

Sinto à luz fraca da agitação das horas

As voltas pungentes e as exposições frequentes

De quem me aprisionou por tamanhas afeições.

Sereno hoje sem esmero o princípio e o fim

Para que o nunca se sirva só na hora da decisão

Como um leve momento de sublevação patética

Como o fruto esforçado da sacra conspiração

E não apenas outro intratável instante de alívio

Para quem nem padece por tão incauta confissão.

Desta cela onde faltam os adornos estéticos do mundo real

Adoro só nos seus dias as sombras da luz que do sol não lhe chega

Na noite a escuridão e o fosco brilho do luar entre apertos convergentes

Não é por tanto venerá-los que assim os procuro roubar ao mundo

Enleio-me só nas formosas e fragosas falas soltas em sossegos desmedidos

Certeiros e pungentes aos guardiões dos meus embebidos sentidos doentes

Que escolhem as aflições que me culpam e que me prendem nos seus desígnios.


1 comentário:

made in ♥ love disse...

bonito...

Um beijinho
Eduarda
Be in ♥ love