9.12.2009

Palavras Banais


Há dias em que as palavras
Parecem-me apenas banais...
As minhas, nunca as dos outros,
Porque nessas busco o que procuro
E encontro a esperada calmaria
Para outros tantos vendavais.

As palavras não são o sustento,
São o lúcido e frio desperdício...
Sinais das próprias ideias espontâneas,
Que se deixam bem enlaçar em nós
Na tonta carolice das carícias do argumento,
Na redução dos pensamentos a vocábulos
Que de súbito fogem à conquista do mundo,
Sem existirem ameaças ou maus tratos,
Sem terem vontades de auto-contenção.

Todos os homens no seu combalido truísmo
Conferem-lhes maior cuidado do que às coisas,
Em memórias, lugares-comuns e frases feitas.
Acordam com o que não procuram entender
E acreditam na imaginação de um mal-entendido…
Nem sempre tudo vem assim depressa em nosso auxílio.
Esquecem-se que o justo encontro está comprometido,
Que a voluptuosidade dos sentidos está presa às palavras
E as palavras são a existência exterior dos sentidos.


____________________________________________________________________

"Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão. Que cada um tente fazê-lo. Verificará que é muito mais difícil do que se costuma pensar. Porque para os homens, infelizmente, as palavras são de um modo geral toscos substitutos. Na maior parte das vezes o homem pensa ou sabe melhor do que aquilo que exprime.

Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

Sem comentários: