9.29.2009

Ode Sentimental *


Não há quem a escute,
Ninguém a conhece
E só eu a compreendo.
Vil canção que embala,
Que me inebria,
Que me faz exaltar...
Acordando para a vida,
Quando ainda devo mudar.

Repouso para ver
O nevoeiro chegar.
Sonho, não sofro,
Para não desesperar.
O que nada espero
Tardará em chegar...
E a esperança resiste
Por essa luz me enfeitiçar.

O engenho e a arte
De a envolver em fantasia
É esquecer o passado
Ao despertar simpatia,
É criar um novo mundo
E enche-lo de alegrias...
É dar vida ao sonho
Vivendo sem agonias.

Fecho-me em segredos
Sentindo a luz como punhal,
Cravado no fundo profundo
Deste ser sentimental.
Desperta-me o desgosto
Tão velho e frio como o mar...
Mas farto desta maresia
Nem uma lágrima sei já soltar.

Afundo-me de sobressalto
Em dúvidas e timidez,
Numa dor sem sintonia
Que me conforta outra vez.
Quando as farpas da sua luz
Dilaceram-me a razão...
Nesta vertigem ilusória
De chamar a atenção.




* (Ode Sentimental de Patética Disposição Afectiva)

2 comentários:

Leto of the Crows disse...

Uma Ode sentimental com sentimento ^^

Beijinhos!

* Rodrigo Marques disse...

Muito bom o texto miúdo...passa pelo meu...

Continua assim...

Aquele abraço