9.17.2009

Motivo Sensacionista


Abranjo-me da consciência da sensações,
Medeio entre filósofos e cientistas
E confiro as possíveis abstracções mentais.
Transfiguro as desregradas complexões
De palavras ocas em prudentes expressões,
Transcrevo-os em objectos contemplativos
De uma sensação numa outra,
Nova e filha da intelectualização.

Nunca decomponho uma emoção,
Não lhe remeto análises dirigidas
Ou faço avaliações instintivas.
Nunca promovo a alteração do seu valor,
Nem a entrada de elementos estranhos,
Pois assim se expressa uma razão vazia.

As sensações não intelectualizadas
São falsas, imberbes, bisonhas...
Têm sempre um mesmo efeito definido.
Assim proponho uma nova dimensão,
Uma outra realidade, inteiramente divergente
E bem diferente do aconchego original,
Fora das sensações interiores ou exteriores,
Designando-a como verdadeiramente pura
Para a factualidade do sensacionismo,
Onde devem prevalecer as sensações do abstracto.