9.09.2009

Lamentos por Irkalla e os Tempos



A luz invade a escuridão da aurora perene

E há vozes que não falam porque se calam

À prova distinta que o novo amanhã chegou.


Ante os templos, do jovial crepúsculo e do sofrimento cego,

Sem vontade, deixam-se indagar pelas impressões do olhar,

Adivinham os futuros no céu descritivo, suspiram às estrelas,

Formam descrenças, demónios, outras ciências e inquisições.


No chão terreno das almas férteis, sós pela soberba e imperfeição,

Desenham-se as grafias dos tempos sem conjuras, nem remédios,

Devotos à compaixão de Ereshkigal ou Enlil - Patrono dos Ventos.


No silêncio interior das redondezas e das florestas, vigilantes e imperceptíveis,

Estremecem os rumores que se propagam como insistentes bombos de batalha.

Perscrutando na imensidão do remoto vazio, prostrados ao medo e à glória infame,

Pedaços de carne descorada, entranhas, icor e homens dilacerados juncando o chão.


Espraia-se um manto negro aos horizontes, só um escudo circular ilustra-se ao centro,

Diversos outros pontos reluzentes, sobre ególatra piromancia insana, espelham ao sol

Milhares de mortes e muitos moribundos desramados, todos brutalmente desfigurados,

Enegrecidos de tão queimados vivos sob o martírio da resina, alcatrão e azeite ardente,

O renascimento da terra feito pelo desbaste dos homens e que dos próprios se alimenta.


* * *


3 comentários:

Joli disse...

Foste tu que escreveste?

João Afonso Adamastor disse...

Sim... Trata-se do início de uma composição minha que, embora ainda não terminada, estende-se longamente com uma conformação impraticável para se apresentar aqui na sua totalidade, dada a oscilação harmónica da sua estrutura formal e (claro está) pelo seu extenuante desenvolvimento.


:)

mordius disse...

estás Lá! mas mesmo Lá!!!! e a banda sonora :) muito bem escolhida:)