9.02.2009

Entendido


O ponto da casta estagnação

Atinge o equilíbrio do império

Como que inibido redondamente

Pelo peso das sérias averiguações.

O amarelo desperta-se tanto

Que o cinzento apenas adormece

Sem que chegue ao suposto fim

Do ridículo inesperado, da fúria.


Tudo acontece em desequilíbrio,

Borbulha à toa o caos constante,

Há de Crasso quem negue a fuga,

Há quem da mesa renegue a ordem,

E cedendo o tempo sempre se perde.

Quando a destruição é a inversa,

Quando a culpa gasta-se no declínio

E a razão atinge o retrocesso.


No desmoronar de calamidades,

O erro, esse cai na culpa da redenção,

Que não encontrando desculpas

Desenrola-se num melindroso perdão.

Surgem recônditos ridículos inesperados,

Da lei à tábua, do dito ao escrito

Em supostos julgamentos determinados

À sentença do livre-arbítrio.

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"Há a ideia de que quando se concede à razão inteira liberdade ela destrói todas as emoções profundas. Esta opinião parece-me devida a uma concepção inteiramente errada da função da razão na vida humana. Não é objectivo da razão gerar emoções, embora possa ser parte da sua função descobrir os meios de impedir que tais emoções sejam um obstáculo ao bem-estar. Descobrir os meios de dminuir o ódio e a inveja é sem dúvida parte da função da psicologia racional. Mas é um erro supor que diminuindo essas paixões, diminuiremos ao mesmo tempo a intensidade das paixões que a razão não condena."


"Nada há de irracional nas paixões como paixões e muitas pessoas irracionais sentem sómente as paixões mais triviais. Ninguém deve recear que ao optar pela razão torne triste a vida. Ao contrário, pois a razão consiste, em geral, na harmonia interior; o homem que a realiza sente-se mais livre na contemplação do mundo e no emprego da sua energia para conseguir os seus propósitos exteriores, do que o homem que é continuamente embaraçado por conflitos íntimos. Nada é tão deprimente como estar fechado em si mesmo, nada é tão consolador como ter a sua atenção e a sua energia dirigidas para o mundo exterior. "


Bertrand Russell, in "A Conquista da Felicidade"

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