8.31.2009

Palíndromo


Real ou irreal, embora tente,

Invertida é no espelho

A sua imagem…

Tão-somente inocência

Quando a procuro

"...do outro lado do espelho".

Ela doce loucura

Ela meiga fantasia

Ela ilusão…


Aprendi a adorar o seu sorriso

Como se aprende a voar

Na tranquilidade natural

Que o seu olhar oferece.

Mas sinto-me fechado num espelho

Como um monstro medieval...

E agora já não consigo comunicar

Para além destas estranhas feições

Em que me tento manifestar.


Como sofisma para os sentidos,

A revolta dos meus sonhos,

A casta angústia de vida...

Quero perder-me assim

No íntimo dos tempos,

Sem afastar as constantes

Que nos transformem em pensamentos.

Quero seguir o seu fausto feitiço

E abalar-me por tais benignos tormentos.


Não é da minha índole

Adaptar-me por conveniência…

Nem certamente será a sua,

Mas entrego-me à sorte, se ela existir,

Entrego-me à bondade de um porvir

Que espante a morte das sensações...

Quando a minha vez chegar,

Bastar-me-á o sonho que desvanece

E a honra das palavras que inocentemente proferi.


Embora tente,

Não são sobreponíveis as imagens especulares,

Não se vive "...no país das maravilhas".

Neste lado do espelho,

As minhas cores têm outros sentidos,

Têm as dormências dos desejos

Que não perdi ao acordar,

São horas tragicamente esquecidas

A vê-la feliz, ao de longe, a acenar.

1 comentário:

mel&drama disse...

Essa escassa força que me levava a empenhar o lápis para me livrar de pedaços meus parece ter cessado.

Gostei mais desta vertente, mais simples e terrena.