8.31.2009

Café Sucedâneo

Em cada rua deparo-me aos mistérios,

As palavras rumam de solilóquios a vitupérios,

E apenas sei que a verdade se esconde

No desterro de outros hemisférios.


A praça é gente em multidão,

A modesta presença é rumor e aflição,

E não sei se o murmúrio se estende

Pelo requinte de tão sublime apresentação.


Das esplanadas soltam-se sobejos

Que no encanto parecem simples bocejos,

E bem sei que o meu olhar se prende

Para desengano dos meus desejos.


Chega perfumada, ligeira e não fica de pé,

Cessa a eternidade a sós com a mesa de café,

E nem pergunto porque está sorrindo...

Grandíloqua ironia da condição de quem é.


Partem uns e voltam outros, esta cidade,

Paraíso imémore de inópia singularidade,

Despeço-me dos que não se esquecem

E partimos sós na comoção desta fatuidade.

1 comentário:

Leto of the Crows disse...

Um olhar. Um mar de visões.

Gostei ^^

Beijinhos!