7.08.2009

Sobre o poeta


O poeta não é nada,

Não crê em nada, nem em ninguém…

É devoto no navio da prisão estelar,

Ostaga da mansarda literal,

Da construção, da intensão e da estética.


Quando se faz é outras mensagens

E corajoso é quem o entende

Quando procura encontrar,

No que foi dito por não dito,

O que não se pretende.


Só torna insustentáveis as suas próprias lamentações,

Porque se esquece sempre da tristeza

Da triste vida de que todos padecemos.

Assim, prefere ser daqueles que se lavam por dentro

Com as lágrimas que pouco a pouco todos contemos.


Apenas pensa em tanta coisa,

Tem ideias, procura-as, pondera e resolve

Desenhando sonhos com as palavras que encontra…

Mas também não é nada,

Nunca nega essa afronta.







"Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Álvaro de Campos (in 'Tabacaria', 15-1-1928)


1 comentário:

Joli disse...

"Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Lindo lindo lindo *.*

Adoro Fernando Pessoa, e todos os seus amigalhaços xD (ou seja, heterónimos) eheheh

Adorei*