7.07.2009

Retroactividade

Sou o meu próprio paradoxo,
Pelo menos aparentemente.
Sou a contradição e o contra-senso
E sou-o ao mesmo tempo,
Sempre que me julgo diferente
Do que vêm pela janela,
O que não sou...
Só assim me faço
Para que não se sintam enganados
Por descrições comprometidas,
Por razões atraiçoadas,
Por mim próprio, é verdade,
Mesmo que o faça sem propósito.

A mais pura explicação
Ultrapassa a ambiguidade,
O que sou e o que de mim fazem
Justifica-se sem uniformidade.
Quem não me conhece pinta-me de azul,
Os outros sabem o que eu sei...
E, num passado já desgastado,
Representam-me nada assustado
Pelas palavras que emprestei
À loucura onde consagrei
Este meu juízo concertado.

O vazio construtivo,
Em que desfaço as horas
Com o meu ideal retroactivo,
É um todo que é nada
Num nada que é tudo,
Como uma alma dissimulada
Num corpo não inerte, mas perdido...
Escrevendo componho-me
Mas não me descrevo com igualdade,
Proponho-me apenas fingindo
A mais complexa simplicidade.

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