7.15.2009

Diálogos de Frasqueira

Diz-me porque te constranges

Quando te peço que faças escolhas,

Sempre o fiz premeditado,

E não as quero absorver todas.


Boca quente,

Adstringência notável,

Toque aveludado...


Sim, o acontecimento é digno de rigor,

E sei que demoro o meu devido tempo,

Mas trata-se de um contra-relógio

A selecção do mais etílico encantamento.


Bom equilíbrio,

Alguma complexidade,

Extremamente envolvente...


Afonso, não acredites nos rótulos,

Melhor era que elas não os tivessem.

Por vezes do que vem escrito transcrevem-se

Diáfanas descrições e outros enganos.


Estrutura elegante,

Paladar jovem,

Fresco e exuberante...


As dos finos traços são certezas,

Porque simulam sempre o que são.

Mesmo que nos iludam as aparências,

De algumas até aceito os custos que dão.


Cor de rubi carregado,

De gosto suave, agradável

E muito persistente...


Mas são rótulos, prezado irmão,

Por muito que assim não penses,

Servem-se deles nessa gratidão,

Nas suas estéticas inocentes.


Mas tenho dúvidas, João...

Tratando assim o vinho como gente

Não se expõe assim a sua indefinição?!


Ah, que grande equação de espanto

Se da sede de Baco te sentes aflito,

É ditoso como se apresenta o artifício

Mas nunca convence o que vem escrito.