7.22.2009

Deslumbramento Cronológico

Inspiro as sensações do tempo,

Retenho-me num ponto fixo,

Tão imóvel como eu…

Quando acordo vejo que o sol

Apaziguadamente desapareceu.

Penso-me confuso e não encontro

Na dimensão do meu olhar

As estrelas que em outras horas avistei,

Deparo-me com o azul medonho

Do dia tenebroso em que mergulhei

E só assim encontro entendimento

Para um outro dia que já foi meu.


Respondo às dúvidas que me surgem

E distraio-me nas suas indefinições,

Tento expressar os seus enleios

Mas fracas são as minhas afirmações.

Procuro no tempo acertado outras explicações

Mas esse certo tempo já partiu

E fico eu pasmado à espera

Do próximo contratempo.

Tudo parece-me estático

No turbilhão infalível das horas.

Mudam-se os traços joviais

Mas a estética é a mesma,

Sempre o mesmo dilema

Com as razões do sábio problema

Que fica mais uma vez por resolver.


Os ponteiros mudos mudam a sua posição,

O tempo passa em excesso e com aversão…

Todos exclamam a sua desgraça

E eu, fico por aqui, sentado à espera do sol

Que por estas horas já não vem.

Talvez chegue amanhã ou depois,

Espero que se lembre de mim.

Enquanto esse tempo não chega,

Procuro outro que me agrada

Na sua inquietação dedicada.


Falam-me das coisas do passado

E eu não nego, nem confirmo nada,

Não estando lá para duvidar

Ninguém confiaria em mim.

Esse tempo era outro, se lá estivesse

Eu próprio também seria outro,

Quando o contratempo surgiu.

Esqueço as fúteis lamentações,

Tenho agora muitas e emancipadas.

Não procuro suportar outras,

Comprometer-me e mantê-las encerradas

Num arquivo organizado cronologicamente

Onde se escrutina a ordem dos acontecimentos

Pela vontade própria do homem liberal.

Que diferença faz que haja fome e miséria,

O meu chuveiro avariou,

Não posso lavar a minha consciência

Mas tenho que ir trabalhar de qualquer maneira.


Chego à débil conclusão

Nada acontece como antecipadamente esperamos,

Tudo tem o seu tempo…

E que tempo é este quando tudo parece no seu lugar.

Chegamos atrasados à chamada

E deparamo-nos com o contratempo.

Assim dedico-me neste instante

Por inspirações extemporâneas

Ao deslumbramento cronológico,

Onde nada aparenta estar errado

Há excepção do meu sol

Que não chega às horas esperadas,

Oferecendo-me tempo precioso

Para não duvidar das suas legítimas explicações.

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